A adoção de práticas ambientais, sociais e de governança ganhou espaço entre micro e pequenas empresas para organizar processos, demonstrar compromissos e ampliar possibilidades comerciais. O tema esteve entre os destaques do primeiro dia do Inova Amazônia Summit 2026, com discussões sobre sustentabilidade, tecnologia e oportunidades para negócios.
Durante o painel “Selo ESG Sebrae: como tecnologia, dados e IA transformam a sustentabilidade em competitividade para pequenos negócios”, Ana Brito e Jaqueline Souza apresentaram caminhos para aproximar pequenos negócios da agenda ESG. A conversa mostrou como dados e Inteligência Artificial podem apoiar a comprovação de práticas sustentáveis e facilitar o acesso à certificação.
A discussão também apresentou o Projeto Crescimento Sustentável, desenvolvido pela BIUD Tecnologia em parceria com o Sebrae. A plataforma foi criada para apoiar pequenos negócios, reunindo ferramentas que ajudam as empresas a identificar seu nível de maturidade e avançar na adoção de práticas relacionadas ao ESG.
A adoção de práticas ambientais, sociais e de governança (ESG, na sigla em inglês para Environmental, Social and Governance) passou de simples ação socioambiental a um pilar estratégico fundamental na engenharia. Diante de normas regulatórias mais rígidas, investidores criteriosos e clientes que priorizam soluções sustentáveis, o ESG tornou-se indispensável para a competitividade em empreendimentos de grande porte. Segundo o engenheiro civil e empresário Jorge Valença, esse movimento marca um avanço natural na evolução da área.
Tecnologia ajuda na jornada ESG
De acordo com Jaqueline Souza, diretora executiva da Biud Tech, a plataforma utiliza a inteligência artificial MIA para auxiliar os pequenos negócios na comprovação de atividades relacionadas às práticas ESG. O empresário passa por etapas até alcançar a pontuação necessária para obter o selo.
A ferramenta também oferece um diagnóstico de maturidade baseado em uma metodologia da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). O processo busca adaptar a jornada de sustentabilidade à realidade das micro e pequenas empresas, com orientação e acesso a soluções do Sebrae.
“A gente já recomendou mais de 7 mil vezes as soluções que o Sebrae tem em relação a ESG para os empreendedores da nossa plataforma. A gente teve esse cuidado de criar com a ABNT uma trilha, então a empresa vai chegando na plataforma, se ela tem entendimento, o conhecimento e o Sebrae vai ajudando com uma trilha de soluções”, disse Jaqueline.
Além da certificação, o Selo Sebrae ESG foi apresentado como ferramenta de apoio aos empreendedores. Segundo a apresentação, a inteligência artificial também pode contribuir para criar conteúdos direcionados ao perfil de cliente de cada empresa.
Selo Amazônia conecta produção e mercado
A programação trouxe um segundo painel dedicado à certificação ambiental na Amazônia Legal. Com o tema “Selo Amazônia: valorização, confiança e acesso a mercados”, a conversa reuniu Juliana Carepa, Márcio Gallo e Cadu Santiago.
O Selo Amazônia foi criado por decreto para reconhecer produtos e atividades vinculados à Amazônia Legal. Durante o painel, os participantes destacaram a relação entre certificação, valorização da biodiversidade e abertura de oportunidades comerciais.
Márcio Gallo ressaltou que a iniciativa busca dar maior visibilidade aos produtos e aos produtores da região, considerando também os conhecimentos tradicionais e os insumos associados à biodiversidade amazônica.
“A nossa ideia é valorizar o bioma Amazônia, valorizar os produtos da biodiversidade local, valorizar os produtores regionais, para que a gente consiga fazer, para que realmente produtos locais sejam valorizados, sejam reconhecidos mundialmente, e que consigam ter acesso a mercados, consigam valorizar não apenas o conhecimento tradicional, mas também os insumos”, disse Gallo.
Para Juliana Carepa, a certificação também pode funcionar como uma forma de ampliar a confiança em negócios que atuam com sociobioeconomia no território amazônico. Segundo ela, a proposta envolve aproximar esses empreendimentos de novos mercados sem deixar de considerar os impactos sociais e ambientais de suas atividades.
“Além de aumentar a credibilidade, acho que o acesso ao mercado é uma chancela para quem realmente faz um trabalho com o sociobioeconomia na Amazônia. Eu acho que o mais importante desse selo é a possibilidade real de ser um selo acessível para os negócios. O selo vai dar a chancela para esses negócios, que são os que geralmente geram esse impacto social e ambiental dentro do território amazônico”, afirmou Juliana.
As discussões do Inova Amazônia Summit 2026 colocaram as certificações como instrumentos de aproximação entre pequenos negócios, consumidores, parceiros comerciais e mercados. No caso do Selo Sebrae ESG, a tecnologia aparece como suporte para diagnóstico e evolução das empresas. Já o Selo Amazônia concentra-se na valorização de produtos, produtores e conhecimentos relacionados ao território amazônico.
Fonte: ASN Nacional
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