Empreendedor do setor explica os principais fatores que impactam o custo total das motos elétricas no Brasil.
Segundo dados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), as vendas de motos elétricas mais que dobraram entre 2023 e 2024, acompanhando a maior oferta de modelos urbanos e a entrada de grandes plataformas no setor. Com isso, cresce também o interesse por informações sobre custos de manutenção, preço da bateria e estrutura de pós-venda.
Para Rodrigo Borges Torrealba, CEO da MotoX, o debate sobre custo total de propriedade (TCO) é decisivo para evitar distorções na comparação com modelos a combustão. “O consumidor precisa entender o que está embutido no preço inicial e no uso contínuo. Só assim é possível avaliar a viabilidade da moto elétrica no dia a dia”.
Manutenção reduzida x rede técnica especializada
A manutenção simplificada é um dos principais atrativos das motos elétricas. Estudos internacionais do Electric Vehicle Council mostram que veículos elétricos podem demandar até 70% menos intervenções técnicas, já que não utilizam óleo, filtro de ar, embreagem ou sistemas de ignição.
No Brasil, empresas que operam frotas elétricas, como no estudo divulgado pelo iFood sobre seu programa piloto, também apontam reduções similares no custo de manutenção de motos utilizadas por entregadores.
Rodrigo observa, porém, que o uso real depende de infraestrutura técnica. “A quantidade de peças é menor, mas o setor ainda está formando mão de obra especializada. Quando a rede não está estruturada, isso pode impactar o tempo e o custo do atendimento”.
O custo da bateria
A bateria é o componente mais caro das motos elétricas, representando até 40% do valor final do veículo, segundo dados compilados pelo Global EV Outlook, da Agência Internacional de Energia (IEA). Embora os preços globais das baterias de íons de lítio venham caindo, a variação cambial e a dependência de importação mantêm o custo elevado no Brasil.
“A bateria concentra o maior impacto financeiro, tanto no valor inicial quanto na reposição. Por isso, garantia e vida útil são fatores centrais na decisão de compra”, explica Rodrigo. Ele destaca que modelos de assinatura ou aluguel de baterias podem se tornar alternativas para reduzir o custo inicial ao consumidor.
Custo por quilômetro rodado
O custo operacional da moto elétrica é menor do que a de uma moto a combustão, segundo indica comparações de eficiência energética realizadas por institutos de mobilidade urbana.
Enquanto modelos tradicionais podem custar entre R$ 0,25 e R$ 0,35 por quilômetro, considerando combustível e manutenção básica, motos elétricas operam em faixa de R$ 0,05 a R$ 0,10 por quilômetro, dependendo da tarifa de energia e do padrão de recarga.
Segundo Rodrigo, essa diferença pesa especialmente para quem roda longas distâncias. “Para entregadores e empresas, o custo por quilômetro é determinante. Mas essa conta precisa incluir a durabilidade da bateria e as condições de pós-venda”.
Pós-venda e reposição de peças
Com o aumento das vendas, cresce também a demanda por reposição de peças, suporte técnico e garantias mais robustas. Estudos sobre adoção de veículos elétricos mostram que países que avançaram no segmento incluíram padronização de componentes, manutenção certificada e prazos de reposição reduzidos.
Rodrigo considera o pós-venda um pilar estratégico. “A confiança do consumidor depende da rapidez e da previsibilidade no atendimento. Quem compra uma moto elétrica busca respostas claras sobre bateria, motor e disponibilidade de peças”.
Ele acrescenta que a maturidade do setor depende de parâmetros consistentes entre fabricantes. “Garantias homogêneas e serviços padronizados fazem diferença na experiência do usuário.”
Sobre Rodrigo Borges Torrealba

Rodrigo Borges Torrealba é CEO da MotoX Comércio de Motos Ltda desde 2008. Formado em Administração, possui MBAs em Administração de Negócios Marítimos e Administração Financeira, obtidos durante sua trajetória na Cia Paulista de Comércio Marítimo. Atuou em funções administrativas e comerciais, incluindo o cargo de Diretor Comercial para a Europa, acumulando experiência no comércio internacional. À frente da MotoX, tem priorizado inovação, atendimento de qualidade e sustentabilidade, alinhando a empresa às diretrizes ESG e à modernização do mercado de motocicletas no Brasil.
