Uma operação da Polícia Civil de São Paulo prendeu duas pessoas nesta quinta-feira (8) em Rio Claro, no interior do estado, durante uma ação voltada ao combate à falsificação de bebidas alcoólicas. A ofensiva, batizada de Operação Poison Source, ou Fonte do Veneno, teve como foco desarticular um esquema clandestino de fabricação e comercialização de produtos adulterados, com potencial risco à saúde pública.
Ao todo, os agentes cumpriram três mandados de busca e apreensão. As diligências ocorreram em uma adega e em um sítio localizado na zona rural do município, apontado como o local onde funcionava uma indústria ilegal de bebidas alcoólicas falsificadas. Segundo a Polícia Civil, o espaço era utilizado tanto para a produção quanto para o armazenamento dos produtos, que depois eram distribuídos na região.
Durante as buscas, um homem de 29 anos e uma mulher de 26 anos foram presos em flagrante. De acordo com os investigadores, os dois seriam responsáveis diretos pela fabricação clandestina das bebidas. Eles foram autuados por crimes contra a saúde pública, contra as relações de consumo e contra a propriedade material e industrial. As identidades dos suspeitos não foram divulgadas.
Além das prisões, a operação resultou na apreensão de dois veículos e uma motocicleta que, segundo a polícia, eram utilizados para realizar as entregas das bebidas falsificadas. Os agentes também recolheram uma grande quantidade de mercadorias e produtos diversos sem comprovação de origem. Esses itens, conforme a investigação, eram recebidos como forma de pagamento pelas vendas ilegais.
No local, foram encontrados ainda R$ 72 mil em dinheiro vivo, além de insumos, embalagens, rótulos, garrafas e materiais usados no processo de adulteração. Todo o material apreendido foi encaminhado para perícia e será analisado para aprofundar as investigações e identificar outros possíveis envolvidos no esquema.
Metanol e risco à saúde
A Polícia Civil tem intensificado operações desse tipo em todo o estado após a identificação de casos de contaminação por metanol associados ao consumo de bebidas alcoólicas adulteradas. O aumento das fiscalizações ocorre em meio a um cenário de alerta das autoridades de saúde, diante do número de intoxicações registradas nos últimos meses.
Segundo dados do Ministério da Saúde, atualizados até 5 de dezembro, pelo menos 22 pessoas morreram no ano passado no país após ingerirem bebidas adulteradas, com confirmação de contaminação por metanol. O número acendeu um sinal de atenção para o avanço desse tipo de crime e para os impactos diretos sobre a saúde da população.
No estado de São Paulo, a Secretaria Estadual da Saúde confirmou 51 casos de contaminação por metanol, com 11 óbitos. Além disso, quatro mortes seguem sob investigação. Os casos em análise envolvem um registro em Guariba, outro em São José dos Campos e dois em Cajamar. As apurações buscam determinar se houve relação direta com o consumo de bebidas falsificadas.
A secretaria também investigava a morte de uma adolescente de 15 anos, ocorrida após a ingestão de bebidas alcoólicas no fim do ano passado. No entanto, a hipótese de contaminação por metanol foi descartada. A pasta informou apenas que a substância não foi identificada nos exames, sem detalhar a causa do óbito.
O metanol é uma substância líquida, incolor e altamente inflamável, utilizada principalmente como solvente industrial e na fabricação de combustíveis, plásticos, tintas e medicamentos. Apesar de ter aplicações legais na indústria, o consumo humano é extremamente perigoso. Mesmo em pequenas quantidades, o metanol pode provocar intoxicações graves, levando a cegueira, falência de órgãos e morte.
Especialistas alertam que, em esquemas de falsificação, o metanol costuma ser usado como substituto do etanol por ser mais barato, o que amplia os riscos. A ingestão da substância não altera de forma significativa o sabor da bebida, o que dificulta a identificação por parte do consumidor.
A Polícia Civil reforça a importância de adquirir bebidas alcoólicas apenas em estabelecimentos regularizados e de desconfiar de preços muito abaixo do mercado. As investigações da Operação Poison Source continuam, e novas fases não estão descartadas, com o objetivo de identificar outros pontos de produção e distribuição de bebidas falsificadas no estado de São Paulo.
Fonte: Agência Brasil
Foto: https://br.freepik.com/fotos-gratis/despejando-bebida-forte-de-alcool-nos-copos-que-estao-sobre-a-mesa-de-madeira_7497093.htm
