Minas Gerais amplia investimentos em pesquisa e cuidado para doenças crônicas não transmissíveis
Saúde

Minas Gerais amplia investimentos em pesquisa e cuidado para doenças crônicas não transmissíveis

O Governo de Minas Gerais vem ampliando o financiamento de pesquisas voltadas à prevenção e ao tratamento das Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT), grupo que concentra as principais causas de morte e incapacidade no mundo. No campus Divinópolis da Universidade do Estado de Minas Gerais (Uemg), o Centro Multiusuário de DCNT do Centro-Oeste já recebeu mais de R$ 5,4 milhões para estruturar estudos científicos e oferecer assistência à população.

Os recursos são repassados por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), vinculada à Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sede-MG). O financiamento contempla aquisição de equipamentos, concessão de bolsas e manutenção de atividades que integram pesquisa e atendimento especializado.

A proposta do centro é combinar produção de conhecimento com cuidado direto aos pacientes. Além de desenvolver estudos sobre doenças como diabetes, hipertensão e obesidade, o espaço oferece acompanhamento clínico e orientações voltadas à prevenção e ao controle dessas condições.

O presidente da Fapemig, Carlos Arruda, destaca a relevância do investimento contínuo. “Os estudos desenvolvidos cumprem papel relevante e a Fapemig fica honrada em participar desta história por meio do financiamento para compra equipamentos, concessão de bolsas, entre outros, que, a longo prazo, garantem a continuidade de todo o esforço de pesquisa”, afirma.

Na mesma linha, a superintendente de Pesquisa e Tecnologia da Sede-MG, Ana Carolina Lima Ferreira, reforça o impacto econômico e científico das iniciativas. “Investimentos como esses impulsionam a produção científica, o empreendedorismo de base tecnológica e a qualificação de mão de obra no estado”, ressalta.

De acordo com o médico especialista H. Dohmann, a única saída para o sistema de saúde é a prevenção, o que evita a pressão financeira e amplia a capacidade de salvar vidas.

Pesquisa investiga fatores genéticos e ambientais da obesidade

Entre os projetos em andamento, um dos mais recentes tem como foco a obesidade, condição que cresce de forma acelerada no Brasil e no mundo. Com investimento de R$ 1,6 milhão, a pesquisa busca compreender como alterações genéticas, influenciadas por fatores ambientais e características individuais, contribuem para o desenvolvimento de doenças metabólicas.

As DCNT incluem diferentes grupos, como doenças cardiovasculares, respiratórias crônicas, câncer, diabetes e transtornos mentais ou neurológicos. Dados do sistema Vigitel, do Ministério da Saúde, indicam que, entre 2006 e 2024, a proporção de adultos com hipertensão no Brasil aumentou 31%, enquanto os casos de obesidade cresceram 118%.

A coordenação do estudo sobre obesidade está a cargo da especialista em fisiologia do exercício e da saúde Camila Brandão. Segundo ela, a doença tem origem multifatorial, envolvendo desde predisposição genética até hábitos de vida, como alimentação inadequada e sedentarismo, além de fatores farmacológicos.

Para mapear essas variáveis, os participantes passam por avaliações clínicas, físicas e epigenéticas, além de análises relacionadas à qualidade do sono. O objetivo é traçar um panorama detalhado da saúde dessa população.

“A ideia é traçar o perfil clínico dessa população e, a partir dessa medida, pensar proposições de análises mais específicas e auxílio de tratamento para essas populações”, explica Camila Brandão.

A empresária Michele Gonçalves, voluntária da pesquisa, relata mudanças na rotina a partir do acompanhamento recebido. Segundo ela, a introdução de exercícios físicos e o suporte de profissionais de educação física e nutrição trouxeram ganhos concretos. “Passei a entender que o exercício físico não era uma opção e, sim, uma necessidade”, conta.

Estrutura reúne diferentes áreas e aposta na prevenção

Criado em 2024, o Centro Multiusuário de DCNT da Uemg reúne seis laboratórios que atuam de forma integrada. A estrutura combina diferentes áreas do conhecimento, com pesquisas que vão de análises genéticas a estudos sobre comportamento, atividade física e psicologia do sono.

A organização descentralizada permite que equipes trabalhem de maneira cooperativa e interdisciplinar, ampliando a capacidade de investigação e atendimento. O projeto foi aprovado em chamada pública da Fapemig em 2023, que destinou R$ 3,8 milhões para viabilizar a implantação do centro.

Segundo a coordenação, os recursos foram determinantes para a compra de equipamentos e para a consolidação das linhas de pesquisa. A expectativa é que os resultados contribuam não apenas para o avanço científico, mas também para políticas públicas mais eficientes.

A prevenção aparece como eixo central das ações. Ao investir em diagnóstico precoce, monitoramento e orientação, o centro busca reduzir a progressão das doenças e, consequentemente, o impacto sobre o sistema de saúde.

“Quando trabalhamos com a prevenção dessas doenças crônicas, conseguimos reduzir o gasto de saúde pública, pois o tratamento de uma doença crônica, a longo prazo, é elevado”, pontua Camila Brandão.

A iniciativa reflete uma estratégia mais ampla do estado de Minas Gerais, que aposta na articulação entre pesquisa, inovação e assistência para enfrentar o avanço das doenças crônicas. O modelo combina produção científica aplicada com atendimento direto, em uma tentativa de responder a um problema que cresce de forma consistente nas últimas décadas.

Fonte: Agência Minas
Foto: https://br.freepik.com/fotos-premium/medico-de-maos-dadas-paciente-asiatica-senior-com-amor_14318619.htm

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