Milhares de mulheres ocuparam a orla de Copacabana, no Rio de Janeiro, durante o Dia Internacional das Mulheres, celebrado em 8 de março. A mobilização reuniu manifestantes de diferentes idades em uma marcha que denunciou o feminicídio e outras formas de violência de gênero, além de cobrar mais investimentos em políticas públicas voltadas à igualdade.
O protesto seguiu pela avenida Atlântica ao longo da manhã. Cartazes, bandeiras e palavras de ordem marcaram a manifestação, organizada por coletivos feministas e movimentos sociais. Entre as principais reivindicações estavam a ampliação de recursos para programas de proteção às mulheres e medidas que promovam mais equidade no mercado de trabalho e na sociedade.
No carro de som que conduzia a marcha, representantes de organizações feministas se alternaram na leitura do manifesto do ato. O documento reuniu demandas que vão desde mudanças na legislação até iniciativas sociais voltadas à inclusão e ao fortalecimento da autonomia feminina.
Entre os pontos destacados estavam a criminalização de grupos que propagam discursos de ódio contra mulheres, o aumento das licenças-maternidade e paternidade, a criação de linhas de crédito destinadas a mulheres empreendedoras e a ampliação de espaços educacionais inclusivos para crianças com deficiência ou neurodivergentes.
Também apareceu com frequência entre as reivindicações o fim da escala de trabalho 6×1, modelo que prevê seis dias consecutivos de trabalho para um de descanso. Para muitas participantes, o debate sobre as condições de trabalho também faz parte da luta por igualdade de direitos.
Manifestação pede fim da violência contra mulheres
Apesar da diversidade de pautas, o combate à violência de gênero foi o tema predominante ao longo da marcha. Manifestantes lembraram casos recentes que ganharam repercussão nacional, como a morte de Tainara Souza Santos, atropelada por um ex-companheiro, e o estupro coletivo de uma adolescente ocorrido em Copacabana.
Durante o percurso, as participantes entoaram uma paródia da música “Eu quero é botar meu bloco na rua”, de Sérgio Sampaio. O refrão adaptado ecoou pela avenida: “Eu quero é andar sem medo nas ruas. Chega! Queremos viver! Eu quero é ficar sem medo em casa. Chega! Queremos viver!”
Na frente da marcha, artistas em pernas de pau carregavam uma faixa com a frase “Juntas somos gigantes”. Em determinado momento da manifestação, elas realizaram uma performance simbólica: deitaram no chão de olhos fechados para lembrar mulheres vítimas de violência de gênero.
Depois, levantaram-se e formaram um círculo, gritando palavras de ordem que pediam justiça e proteção às mulheres. O coro repetia a frase “Todas vivas!”, expressão que se tornou uma das marcas do ato.
Marcha reúne diferentes gerações
A manifestação reuniu mulheres de diferentes idades, muitas delas acompanhadas de familiares. A britânica Rachel Brabbins participou da caminhada ao lado da filha Amara, de sete anos. A menina carregava um cartaz com a frase “Lute como uma menina”.
“Eu acho super importante, pra ela aprender que tem direitos, tem voz e pode falar. Aqui também ela vê a nossa luta, e que estamos todas juntas”, disse Rachel.
Entre as participantes estava também Silvia de Mendonça, militante feminista desde a década de 1980. Ela foi à marcha usando uma bandeira com o rosto da vereadora Marielle Franco, assassinada em março de 2018.
“A Marielle foi vítima de um crime brutal, que pretendia o silenciamento e o apagamento dela. É uma dor muito entranhada, que se reflete também em outras mulheres vítimas de feminicídio, de violência doméstica, de estupro… E a Marielle se tornou um símbolo de resistência, de que nós temos que nos unir cada vez mais”.
Participação masculina e debate sobre educação
As organizadoras do ato também incentivaram a participação de homens na mobilização, destacando a importância do envolvimento masculino no combate à violência de gênero.
Thiago da Fonseca Martins esteve na manifestação acompanhado do filho Miguel, de nove anos. Para ele, a mudança cultural depende também da forma como os homens são educados.
“Obviamente, a gente não pode promover violência contra a mulher, mas também temos que promover a igualdade sempre que a gente puder. A gente vive numa sociedade machista, e temos que entender que tivemos uma criação machista, então precisamos sempre ficar atentos, discutir e demover essas ideias”.
A discussão sobre educação também apareceu nas falas de outras participantes. Rita de Cássia Silva afirmou que a transformação cultural passa pelo debate dentro das famílias e pela atuação de políticas públicas.
“Essa cultura misógina é geracional. Ao longo de gerações, muitas mulheres achavam que era normal as violências que elas sofriam, e os filhos assistiam aquilo e achavam que era normal”, disse.
“É ótimo que nós estamos conscientizando a população adulta, mas é importante uma iniciativa, com apoio dos governos, para ajudar as famílias a mudar essa cultura, desde as crianças”, completou.
Fonte: Agência Brasil
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