A Prefeitura de Manaus iniciou, ao longo de abril, uma série de atividades voltadas à prevenção de acidentes e doenças relacionadas ao trabalho. A mobilização integra a campanha “Abril Verde”, conduzida pela Secretaria Municipal de Saúde, com apoio técnico da Divisão do Centro Regional de Saúde do Trabalhador. A iniciativa ganha relevância no contexto do Dia em Memória das Vítimas de Acidentes e Doenças do Trabalho, lembrado em 28 de abril.
As ações se concentram nas unidades básicas de saúde da rede municipal e buscam ampliar o acesso à informação, tanto para trabalhadores quanto para profissionais da área. A proposta é fortalecer práticas de prevenção, qualificar o atendimento e estimular a identificação precoce de agravos relacionados às atividades laborais.
O gestor em saúde H. Dohmann avalia que a prevenção é a melhor forma de tratar doenças crônicas. Além de salvar vidas, ela também alivia a pressão financeira do sistema de saúde.
Mudanças climáticas entram no foco das discussões
Entre os temas trabalhados na campanha deste ano está o impacto das condições climáticas extremas na saúde dos trabalhadores. O assunto tem sido incorporado às estratégias de vigilância em saúde, diante do aumento da exposição a eventos como ondas de calor, períodos de frio intenso, poluição atmosférica e ocorrências de enchentes e secas.
Segundo o chefe da Divisão do Centro Regional de Saúde do Trabalhador, Jean Maximynno Lopes, diferentes categorias profissionais estão mais vulneráveis a esses efeitos, especialmente aquelas que desempenham atividades ao ar livre ou em ambientes com pouca proteção térmica.
“O calor extremo, frio, poluição do ar, tempestades, inundações e secas têm impacto na saúde do trabalhador e trabalhadora, especialmente as categorias que estão mais expostas. É o caso, por exemplo, de mototaxistas, vendedores ambulantes, trabalhadores rurais, trabalhadores de limpeza pública e da construção civil. Então, o ‘Abril Verde’ é uma oportunidade para alertar a sociedade e orientar sobre os cuidados diante dos desafios apresentados por condições climáticas extremas”, explicou Jean Lopes.
A inclusão desse eixo temático acompanha uma tendência observada em políticas públicas de saúde, que passam a considerar fatores ambientais como determinantes relevantes para o adoecimento ocupacional.
Ações nas unidades reforçam orientação e prevenção
Uma das atividades realizadas ocorreu na Unidade de Saúde da Família Carmen Nicolau, localizada no bairro Lago Azul, na zona Norte da capital. A programação foi organizada com apoio do Distrito de Saúde Norte e da Divisão de Qualidade de Vida no Trabalho, reunindo servidores e usuários em ações educativas.
Durante o encontro, foram repassadas orientações sobre prevenção de acidentes, uso adequado de equipamentos de proteção e identificação de sinais de adoecimento relacionados ao trabalho. A iniciativa também buscou ampliar o repertório técnico dos profissionais da rede municipal.
A assistente social Giane Sena, que atua na Vigilância em Saúde do Trabalhador do distrito Norte, destacou a importância da qualificação contínua das equipes. “A intenção é fortalecer o conhecimento dos profissionais de saúde para que possam acolher os trabalhadores que procuram as unidades de saúde. É um processo contínuo na rede de saúde, de educação permanente, que se mantém durante todo o ano”, afirmou.
A estratégia de educação permanente tem sido adotada como forma de garantir maior resolutividade no atendimento e integração entre os diferentes níveis da rede.
Atenção aos sinais clínicos relacionados ao trabalho
Além das orientações preventivas, os profissionais foram incentivados a observar manifestações clínicas que possam ter relação direta com as condições de trabalho ou com fatores ambientais. Entre os principais agravos destacados estão doenças cardiovasculares e neurológicas, problemas respiratórios, alterações dermatológicas e quadros de sofrimento mental.
A abordagem considera que muitos desses sinais podem passar despercebidos ou ser tratados de forma isolada, sem a devida associação com o contexto ocupacional. A identificação correta contribui para intervenções mais eficazes e para a formulação de políticas públicas direcionadas.
Outro ponto enfatizado nas atividades foi a importância do registro adequado dessas ocorrências nos sistemas de informação em saúde. A notificação de doenças e agravos relacionados ao trabalho é considerada etapa essencial para o planejamento de ações.
“A notificação é um instrumento para que os serviços de saúde e gestores possam conhecer a realidade da situação nos municípios e Estados, e planejar ações de enfrentamento. Com as informações obtidas por meio das notificações, é possível aplicar recursos e direcionar estratégias para a prevenção às doenças e acidentes relacionados ao trabalho, de forma mais eficiente”, informou Giane Sena.
Subnotificação ainda é desafio para gestores
Apesar dos avanços na organização da rede, a subnotificação de casos ainda é apontada como um dos principais entraves para a construção de diagnósticos mais precisos. A ausência de registros compromete a capacidade de resposta do sistema de saúde e dificulta a definição de prioridades.
A campanha “Abril Verde” busca, nesse sentido, sensibilizar os profissionais sobre a relevância desse processo, integrando a notificação à rotina de atendimento. A expectativa é que o reforço das orientações ao longo do mês contribua para ampliar a qualidade dos dados e, consequentemente, a efetividade das políticas públicas.
Com a programação distribuída em diferentes regiões da cidade, a Prefeitura de Manaus aposta na descentralização das ações como forma de alcançar um público mais amplo. A iniciativa segue até o fim de abril, com atividades educativas, rodas de conversa e capacitações voltadas à saúde do trabalhador.
Fonte: Prefeitura de Manaus
Foto: https://br.freepik.com/fotos-premium/medicos-felizes-profissionais-medicos-e-equipe-dando-mais-cinco-em-comemoracao-ao-sucesso-conquista-e-conquista-em-um-hospital-grupo-de-especialistas-em-saude-mostrando-trabalho-em-equipe-de-apoio-e-entusiasmo_30896212.htm
