Greve de rodoviários entra no quarto dia e mantém transporte urbano parado em São Luís
Política

Greve de rodoviários entra no quarto dia e mantém transporte urbano parado em São Luís

A paralisação dos rodoviários do transporte urbano em São Luís, no Maranhão, chegou ao quarto dia nesta segunda-feira (16), sem definição de acordo. Desde a última sexta-feira (13), os ônibus que atendem as linhas urbanas deixaram de circular, comprometendo a mobilidade na capital. Apenas o sistema semiurbano segue em funcionamento na Grande São Luís.

Uma tentativa de mediação foi marcada para esta segunda-feira pelo Ministério Público do Maranhão. A reunião deve reunir representantes dos trabalhadores, das empresas de transporte e da Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes (SMTT), em busca de uma solução para o impasse.

Categoria cobra cumprimento de acordo judicial

A greve foi iniciada pelos rodoviários do sistema urbano, que reivindicam o pagamento de reajustes salariais definidos em acordo firmado na Justiça do Trabalho após a paralisação realizada em fevereiro deste ano.

De acordo com o Sindicato dos Rodoviários do Maranhão (Sttrema), houve avanço nas negociações envolvendo o sistema semiurbano, o que permitiu a continuidade das operações nesse segmento. No entanto, no transporte urbano, não houve até o momento indicação de que o reajuste será pago.

“O Sindicato dos Rodoviários do Maranhão segue acompanhando atentamente a situação, aberto ao diálogo e cobrando soluções do SET [Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros], que assegurem todos os direitos da categoria”, informou a entidade.

Rotina da população é afetada

Com a interrupção do serviço, passageiros passaram a buscar alternativas para se deslocar pela cidade. Vans, mototáxis, carrinhos-lotação e veículos por aplicativo passaram a concentrar a demanda deixada pela ausência dos ônibus.

A situação afeta principalmente quem depende do transporte público para percorrer longas distâncias, sobretudo moradores de regiões mais afastadas. A sobrecarga nos demais modais tem provocado aumento na procura e dificuldade para encontrar opções acessíveis.

SMTT atribui paralisação a empresas

Em posicionamento oficial, a Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes afirmou que a greve decorre do não cumprimento, por parte das empresas, de uma decisão da Justiça do Trabalho que determinava o pagamento de benefícios aos trabalhadores.

“Mesmo após a decisão judicial, as empresas não garantiram aos trabalhadores as vantagens determinadas pela Justiça do Trabalho, o que levou à greve no sistema urbano de transporte público”, declarou a pasta.

A SMTT também informou que os repasses financeiros ao sistema estão sendo realizados regularmente, sem atrasos. Segundo a secretaria, a prefeitura adotou medidas emergenciais para amenizar os impactos, entre elas a liberação de vouchers para uso em aplicativos de transporte.

Empresas apontam desequilíbrio financeiro

O Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros (SET) contestou a versão apresentada pelo poder público. A entidade afirma que o valor do subsídio pago pela prefeitura não é reajustado desde janeiro de 2024, apesar do aumento de custos e da concessão de dois reajustes salariais no período.

O SET também destacou que o acordo firmado na Justiça do Trabalho não contou com a participação do município, o que, segundo o sindicato, compromete a sustentabilidade do sistema.

“As diversas greves que ocorrem desde 2021, são resultados do descumprimento do contrato por parte do município de São Luís, fato confessado em vídeo pelo próprio prefeito [Eduardo Braide], que, ao congelar o subsídio desde janeiro de 2024, colocou o sistema em colapso”, afirmou a entidade.

O sindicato informou ainda que tem colaborado com órgãos de Justiça e de controle na apuração das causas da crise. Também disse que vem tentando abrir diálogo com a gestão municipal, com pedidos de reunião enviados desde o início de 2025.

Sistema segue sem previsão de normalização

Sem acordo até o momento, o transporte urbano permanece paralisado e sem previsão de retomada. A reunião mediada pelo Ministério Público é vista como uma tentativa de destravar as negociações, mas o cenário ainda é de incerteza.

O desfecho depende de entendimento entre as partes sobre o pagamento dos reajustes aos trabalhadores e a revisão das condições financeiras do sistema. Enquanto isso, moradores de São Luís seguem enfrentando dificuldades para se deslocar pela cidade.

Fonte: Agência Brasil
Foto: https://br.freepik.com/fotos-premium/onibus-turisticos-brancos-no-estacionamento-ao-nascer-do-sol-turismo-automotivo-de-verao_22686638.htm

Postagens relacionadas

Transfobia: Entidades reivindicam políticas públicas

Município Assessoria

LDO de São Bernardo: vereadores e deputado vão à Justiça contra aval

Município Assessoria

500 mil alunos da rede estadual de Goiás podem ficar sem aulas

Município Assessoria

Governo entrega mais de 200 benefícios do “Sua Casa” em Curuçá (PA)

Município Assessoria

Professores de BH recusam proposta e mantêm greve

Município Assessoria

Serra do Curral: MPF pede que Tamisa tenha aval do Ibama para exploração

Município Assessoria