Gonçalo Borges Torrealba
Economia

Gonçalo Borges Torrealba analisa como a gestão profissional transformou a criação de cavalos puro-sangue em um negócio global

A criação de cavalos puro-sangue atravessa uma transformação marcada cada vez menos pela tradição e mais por métodos de gestão típicos de cadeias globais do agronegócio. A incorporação de governança, planejamento estratégico e análise de dados alterou a lógica de investimento, assim como a seleção genética e a comercialização, aproximando o setor de padrões empresariais observados em mercados internacionalizados e intensivos em capital.

Profissionalização e gestão baseada em dados

O empresário e advogado Gonçalo Borges Torrealba, especialista na criação de cavalos puro-sangue, afirma que a profissionalização consolidou um novo modelo de tomada de decisão. “A criação deixou de ser conduzida apenas pela experiência empírica. Hoje, indicadores técnicos e financeiros orientam o planejamento reprodutivo e o posicionamento comercial dos haras”, diz.

Formado pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Torrealba iniciou a carreira no setor financeiro antes de migrar para o turfe, trajetória que, segundo ele, contribuiu para a adoção de estruturas administrativas mais formais na atividade. O especialista avalia que métricas de desempenho, controle de custos e análise de risco passaram a integrar a rotina dos criadores, aproximando o segmento de práticas corporativas consolidadas em outros setores econômicos.

De acordo com o empresário, a aplicação de dados na avaliação genética e no desempenho esportivo ampliou a previsibilidade dos investimentos. “O cruzamento de informações sobre linhagem, histórico competitivo e retorno econômico permite decisões mais consistentes, especialmente em operações com alcance internacional”, afirma.

Expansão econômica e dimensão do mercado

Dados divulgados pelo IBGE revelam que o Brasil reúne cerca de 6 milhões de cavalos e mais de 200 mil criadores, segundo informações da Associação Brasileira de Criadores de Cavalo Quarto de Milha (ABQM), número que evidencia a relevância econômica da atividade no país. O levantamento aponta que, apesar dos custos elevados de manutenção e genética, o setor mantém crescimento sustentado impulsionado pela demanda por desempenho esportivo e valorização de linhagens.

O mercado de cavalos de raça tem ampliado sua presença no agronegócio nacional, com maior participação de investidores e estruturação de operações voltadas à exportação e à reprodução de alto padrão.

A valorização financeira dos animais também reforça o caráter empresarial da atividade. Dados da Federação Nacional de Seguro Rural (FenSeg) revelam que cavalos de hipismo e corrida podem atingir valores milionários e contam com seguros comparáveis aos de bens de alto valor, refletindo o nível de capital envolvido e a necessidade de gestão especializada.

Integração internacional e padronização de processos

Para Torrealba, a internacionalização é uma consequência direta da profissionalização. Após encerrar as operações do Haras TNT, ele adquiriu a Fazenda Three Chimneys, localizada em Midway, nos Estados Unidos, com o objetivo de estruturar uma operação voltada à reprodução e ao treinamento de cavalos puro-sangue em escala global.

Segundo o empresário, a integração entre centros de criação e mercados consumidores exige padronização de processos e governança consistente. “A criação de puro-sangue opera hoje em um sistema global. Investimentos, genética e comercialização dependem de estruturas administrativas capazes de dialogar com diferentes mercados”, afirma.

Ele observa que a rastreabilidade genética e o monitoramento do desempenho esportivo são elementos centrais para a credibilidade internacional das operações. “A transparência das informações e o controle técnico ampliam a confiança de investidores e compradores”, acrescenta.

Governança e sustentabilidade econômica

Na avaliação do especialista, a adoção de governança corporativa contribuiu para a sustentabilidade financeira do setor. O modelo inclui planejamento de longo prazo, diversificação de receitas e profissionalização das equipes técnicas. “A previsibilidade econômica é resultado de gestão estruturada e acompanhamento permanente de indicadores”, afirma.

Torrealba destaca que a atividade passou a demandar planejamento semelhante ao de outros segmentos do agronegócio intensivo em capital. “O criador moderno atua como gestor de um ativo biológico de alto valor, sujeito a riscos operacionais, sanitários e de mercado”, diz.

Perspectivas para o setor global

O especialista avalia que a tendência é de maior consolidação internacional e intensificação do uso de tecnologia na gestão dos haras. “A combinação de tradição e gestão profissional deve ampliar a competitividade global e redefinir o papel econômico da criação de puro-sangue”, afirma.

Segundo ele, o setor tende a se organizar em estruturas empresariais cada vez mais integradas, com maior circulação de investimentos e padronização de práticas produtivas. “A profissionalização transformou a criação de cavalos puro-sangue em um negócio global estruturado, com dinâmica econômica própria e crescente relevância no agronegócio”, conclui.

Imagem: https://br.freepik.com/fotos-gratis/jovem-treina-em-passeios-a-cavalo-na-arena-jovem-mulher-caucasiana-em-roupas-formais-cavalgadas-pela-arena-arenosa-um-cavalo-de-pedigree-para-o-esporte-equestre-a-desportista-em-um-cavalo_26255835.htm#fromView=search&page=1&position=2&uuid=68c81a08-97fe-4346-bbdb-d3f01b42e59b&query=haras

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