Jundiaí recebe nesta terça-feira, dia 23, a segunda edição da Feira da Rota Afro, iniciativa que coloca em evidência o empreendedorismo negro e a valorização da cultura de matriz africana. O evento ocorre das 12h às 22h, na rua Professor Giácomo Itria, número 119, no bairro Anhangabaú, e reúne pequenos produtores locais que desenvolvem seus negócios a partir de referências culturais, identidade e propósito social.
A feira integra o calendário de ações da Rota Turística Afro, a nona rota temática lançada pela Prefeitura de Jundiaí. Criada para reconhecer e dar visibilidade à presença negra na história da cidade, a rota conecta espaços, iniciativas e empreendedores que contribuem para a economia criativa e para o fortalecimento cultural do município. Dentro desse contexto, a feira funciona como um ponto de encontro entre produtores e consumidores interessados em produtos autorais e experiências ligadas à cultura africana e afro-brasileira.
A proposta do evento vai além da comercialização. A organização destaca o caráter de vitrine para empreendedores que atuam de forma independente e encontram dificuldade de acesso a espaços tradicionais de venda. Ao ocupar uma área central da cidade, a feira amplia o alcance desses negócios e estimula o consumo consciente, baseado na valorização de histórias, trajetórias e saberes ancestrais.
Produtos autorais e economia criativa local
A programação reúne expositores de diferentes segmentos, com destaque para moda, gastronomia artesanal, decoração e arte. No setor de acessórios e vestuário, participam marcas como Rosa Vermelha e Namariê, além das roupas da Criolleras, que trabalham com estampas, cortes e referências ligadas à identidade afro. As peças refletem uma produção autoral que dialoga com ancestralidade, autoestima e representatividade.
A gastronomia artesanal é outro eixo central da feira. Entre os destaques estão as cocadas da Emílio Doces Artesanais, os bolos de pote da Silcandy e os geladinhos gourmet da Bia Gelatto. Os produtos valorizam receitas tradicionais e adaptações contemporâneas, com produção em pequena escala e atenção à qualidade dos ingredientes. Para muitos expositores, a feira representa uma oportunidade de ampliar a clientela e consolidar a marca no período de maior circulação de consumidores.
No campo da decoração e das artes visuais, o público encontra mandalas produzidas pela Oficina de Luz Ateliê, velas aromáticas da Luzes de Aruanda e placas esculpidas em madeira da Suavidade em Madeira. As peças reforçam a diversidade de linguagens artísticas presentes na feira e dialogam com espiritualidade, estética e simbolismo, elementos recorrentes na produção cultural afrodescendente.
A organização destaca que todos os empreendimentos participantes têm ligação direta com o território e atuam a partir de princípios de sustentabilidade, seja na escolha de materiais, seja na forma de produção. Essa característica reforça o papel da feira como instrumento de fortalecimento da economia local, estimulando cadeias produtivas curtas e relações mais próximas entre quem produz e quem consome.
Além de opção de compras para o período que antecede o Natal, a Feira da Rota Afro se consolida como espaço de visibilidade, troca de experiências e geração de renda. A expectativa é atrair moradores de diferentes bairros e também visitantes interessados em conhecer iniciativas culturais fora dos circuitos tradicionais. A circulação de público contribui para dinamizar o comércio da região do Anhangabaú e ampliar o impacto econômico do evento.
A Rota Turística Afro, da qual a feira faz parte, foi estruturada como política pública de valorização da diversidade cultural em Jundiaí. Ao mapear e promover iniciativas ligadas à cultura negra, o projeto busca reconhecer contribuições históricas muitas vezes invisibilizadas e criar oportunidades concretas para empreendedores que atuam nesse campo.
O evento é aberto ao público e não exige inscrição prévia. A proposta é convidar a população a circular, conhecer os expositores e apoiar negócios que constroem a economia da cidade a partir de suas raízes culturais. Ao reunir cultura, comércio e identidade em um mesmo espaço, a Feira da Rota Afro reforça o papel do empreendedorismo negro como agente de desenvolvimento social e econômico em Jundiaí.
Fonte: Band
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