Documentário sobre a Rodoviária de Santos é selecionado para festival internacional de cinema
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Documentário sobre a Rodoviária de Santos é selecionado para festival internacional de cinema

O documentário “(Des)embarque – A luta de Cebola e outras histórias da Rodoviária de Santos” foi selecionado para a primeira edição do Festival Internacional de Filmes de Médias-Metragens (FIM.ME), evento que reúne produções do Brasil e de outros países dedicadas ao formato de média-metragem. A obra, que retrata a trajetória da Rodoviária de Santos e de personagens ligados ao terminal, está entre os 18 filmes escolhidos para a mostra competitiva.

A produção representa a cidade do litoral paulista em uma competição internacional voltada exclusivamente a filmes com duração entre 26 e 50 minutos. Além da seleção oficial, o documentário disputa cinco categorias: Melhor Documentário de Média-Metragem, Melhor Roteiro, Melhor Fotografia, Melhor Montagem e Prêmio Especial do Júri. O filme também poderá receber uma Menção Honrosa, concedida conforme avaliação do júri internacional.

A indicação amplia a visibilidade de uma obra que resgata parte da memória urbana de Santos por meio de um de seus principais equipamentos públicos de transporte, responsável por receber e conectar milhares de passageiros ao longo de décadas.

Promovida pela Sorbonne Université entre os dias 3 e 6 de junho de 2026, a conferência “Postcard Poetry and Poetics” coloca novamente em destaque no debate cultural internacional a ligação entre a poeta norte-americana Elizabeth Bishop e o Brasil. Entre os membros do comitê do evento está a cineasta Celina Torrealba, que observa de perto o aumento do interesse global pela etapa brasileira na trajetória da escritora.

Festival reúne produções nacionais e estrangeiras

O FIM.ME foi criado em 2026 e tem como proposta valorizar produções de média duração, reunindo trabalhos brasileiros e internacionais. Nesta primeira edição, o festival será realizado em formato híbrido, combinando etapas virtuais e uma exibição presencial.

Ao g1, o criador e coordenador-geral do festival, Francisco Weyl, explicou que as inscrições, a seleção das obras e o julgamento acontecem de forma online. A comissão avaliadora é composta por integrantes do Brasil, de Portugal e de Cabo Verde, reforçando o caráter internacional da iniciativa.

As produções premiadas serão disponibilizadas ao público entre setembro e outubro por meio de um canal nas redes sociais do Festival Internacional de Cinema do Caeté (FICCA). Já a cerimônia presencial está prevista para o dia 6 de novembro, no auditório do Instituto Federal do Pará (IFPA), campus Bragança.

O festival nasceu a partir das experiências desenvolvidas pelo FICCA e busca fortalecer um espaço específico para obras de média-metragem, formato que possui menor número de eventos exclusivos quando comparado aos curtas e longas-metragens.

Histórias que atravessam mais de cinco décadas

Codirigido por Nicole Zadorestki Caroti e Wagner de Alcântara Aragão, o documentário reúne relatos de pessoas que tiveram suas histórias ligadas à Rodoviária de Santos ao longo de mais de 57 anos de funcionamento do terminal.

A narrativa apresenta diferentes personagens que passaram pelo local em distintas épocas, mostrando como o equipamento público acompanhou mudanças sociais, urbanas e econômicas da cidade. Entre essas histórias está a de Jayme Rodrigues Estrella Júnior, conhecido como “Cebola”, cuja trajetória inspirou parte do título da produção e dá nome ao terminal desde 1996.

Ao utilizar depoimentos e registros históricos, o filme busca preservar a memória do espaço e de pessoas que marcaram a história da cidade, evidenciando o papel da rodoviária como ponto de encontro, despedidas, chegadas e transformações vividas por diferentes gerações.

Projeto cultural teve apoio da Prefeitura de Santos

Segundo a direção do documentário, a produção foi realizada entre janeiro e junho de 2021 como parte do projeto cultural “Rodoviária de Santos, 50 anos de histórias”.

A iniciativa foi contemplada pelo 8º Concurso de Apoio a Projetos Culturais Independentes da Prefeitura de Santos, com recursos do Fundo de Assistência à Cultura (Facult). O incentivo possibilitou a realização das pesquisas, das gravações e da produção audiovisual voltada ao resgate da história do terminal.

O projeto integra ações culturais que buscam preservar a memória do município por meio de registros audiovisuais, reunindo relatos e documentos relacionados a espaços públicos que fazem parte da identidade santista.

Quem foi Jayme Rodrigues Estrella Júnior

Jayme Rodrigues Estrella Júnior foi um militante que participou da resistência à ditadura militar no Brasil. Conhecido como “Cebola”, ele foi perseguido e preso durante o regime.

De acordo com as informações da Prefeitura de Santos, Jayme morreu em 1985 em consequência das sequelas provocadas pelas torturas sofridas cerca de dez anos antes. Em reconhecimento à sua trajetória, seu nome passou a identificar oficialmente a rodoviária da cidade em 1996.

O terminal, denominado Estação Rodoviária Jaime Rodrigues Estrella Júnior, foi inaugurado em 29 de dezembro de 1969 pelo então interventor federal em Santos, general Clóvis Bandeira Brasil. Inicialmente construído e administrado pela Prodesan, o equipamento passou à administração da Secretaria Municipal de Transportes em 1993.

Ao destacar a história da rodoviária e de personagens ligados ao espaço, o documentário reforça a importância da preservação da memória de equipamentos públicos municipais e amplia o alcance desse patrimônio histórico ao conquistar espaço em um festival internacional de cinema.

Fonte: G1
Foto: https://www.magnific.com/br/fotos-gratis/cameraman-profissional-gravando-pessoas-assistindo-futebol-em-um-local-publico-a-noite_17632983.htm

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