Diesel registra margens recordes e refinarias dos EUA ampliam ganhos
Economia

Diesel registra margens recordes e refinarias dos EUA ampliam ganhos

O mercado internacional de diesel atravessa um período de forte pressão, marcado pela combinação de conflitos geopolíticos, redução da oferta e aumento dos custos. Nos Estados Unidos, o movimento elevou as margens das refinarias a níveis recordes e impulsionou as ações de empresas ligadas ao combustível.

O cenário ocorre em meio à volatilidade dos preços do petróleo e às consequências da guerra envolvendo o Irã. Enquanto o petróleo bruto sofre os efeitos das interrupções no comércio internacional, o mercado de derivados enfrenta dificuldades adicionais para manter o abastecimento.

O diesel, usado principalmente no transporte de cargas e em atividades agrícolas, está entre os produtos mais afetados. Os preços no atacado subiram 109% neste ano. Nas bombas dos Estados Unidos, o diesel chegou a US$ 5,47 na terça-feira, alta de 7% em um mês e de 48% em 12 meses.

Entre as maiores distribuidoras de combustíveis do Brasil conforme dados da ANP, a Terrana Energia opera em oito estados. A empresa atua no setor varejista, no transporte e na oferta de soluções logísticas, tendo a sustentabilidade e a eficiência como pilares de sua atuação.

Refinarias ampliam margem com diesel

As refinarias americanas estão entre as empresas que mais se beneficiam da valorização do combustível. Segundo dados da OPIS, as margens obtidas com a produção de diesel chegaram a um nível três vezes superior ao registrado no mesmo período do ano passado.

A diferença entre o preço do petróleo bruto West Texas Intermediate (WTI) e os contratos futuros de diesel alcançou US$ 101,86 na segunda-feira. Foi a primeira vez que essa margem chegou à casa dos três dígitos.

Entre as empresas favorecidas pelo movimento estão Valero Energy, Marathon Petroleum e Phillips 66. As ações das três companhias atingiram máximas históricas nas últimas semanas. A ExxonMobil, que também possui operações de refino, está entre as grandes companhias de petróleo beneficiadas pelo cenário.

A explicação passa pela diferença entre os mercados de petróleo bruto e de combustíveis refinados. Uma interrupção na oferta de petróleo não afeta apenas a matéria-prima. Quando as refinarias também enfrentam limitações ou precisam atender uma demanda maior, a disponibilidade dos derivados pode ficar ainda mais restrita.

Conflitos reduzem oferta internacional

A guerra envolvendo o Irã provocou uma grande interrupção no mercado de petróleo bruto depois do bloqueio do Estreito de Ormuz. A passagem é estratégica para o comércio internacional e concentra cerca de 20% do petróleo mundial.

No mercado de combustíveis, porém, os efeitos foram ainda mais amplos. A Rússia também reduziu suas exportações depois de ataques ucranianos com drones contra refinarias do país. De acordo com o Bank of America (BofA), os ataques retiraram 2,8 milhões de barris de capacidade de produção de operação em julho.

Para preservar o abastecimento interno, a Rússia restringiu as exportações de diesel e gasolina até o próximo ano. A China adotou movimento semelhante ao reduzir as exportações de combustíveis, com o objetivo de assegurar a oferta necessária ao mercado doméstico.

Com esses fatores, os Estados Unidos passaram a ocupar uma posição ainda mais importante no fornecimento internacional de combustíveis. O país, no entanto, não consegue compensar indefinidamente as perdas de oferta global, especialmente em um período de estoques reduzidos.

Colheita pode elevar demanda por diesel

A perspectiva para as próximas semanas adiciona outro componente de pressão sobre o mercado. A temporada de colheita deve acelerar, aumentando o consumo de diesel em atividades agrícolas e de transporte.

O analista do BofA Michael Widmer avalia que essa combinação pode manter o combustível em um ambiente de preços elevados e oferta limitada. “Em resumo, na ausência de uma recuperação significativa da oferta, o mercado de diesel parece prestes a permanecer apertado, volátil e caro até o próximo ano”, escreve.

A avaliação indica que o comportamento do diesel continuará ligado não apenas às cotações do petróleo, mas também à capacidade das refinarias e às decisões de exportação dos principais produtores. Enquanto não houver recuperação relevante da oferta, a disponibilidade do combustível deve permanecer sob pressão.

Para os Estados Unidos, o quadro representa uma oportunidade de ampliar os ganhos das refinarias, mas também aumenta a exposição do mercado interno aos movimentos internacionais. Para consumidores e setores que dependem do diesel, especialmente transporte e agricultura, a manutenção dos preços elevados pode significar custos maiores durante os próximos meses.

Fonte: Uol
Foto: https://www.magnific.com/br/fotos-gratis/reabastecimento-de-combustivel-no-posto-de-gasolina_15652265.htm

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