Crédito mais restrito amplia exclusão financeira e acelera avanço das fintechs no Brasil
Economia

Crédito mais restrito amplia exclusão financeira e acelera avanço das fintechs no Brasil

A inadimplência das famílias brasileiras voltou a subir e acendeu um alerta no mercado financeiro. Dados divulgados pelo Banco Central mostram que a taxa de atrasos acima de 90 dias chegou a 5,5% em janeiro de 2026, o maior nível registrado desde 2017. O movimento acontece em meio a juros elevados, crédito mais caro e renda pressionada pelo aumento do custo de vida.

Na prática, o cenário atinge principalmente consumidores de baixa renda, trabalhadores informais, autônomos e pessoas com restrições no CPF. Para esse público, o acesso ao empréstimo pessoal ficou mais difícil justamente em um momento de maior necessidade financeira.

Mesmo com alguns sinais de recuperação no mercado de trabalho, despesas básicas seguem comprometendo grande parte do orçamento das famílias. Alimentação, transporte, aluguel e contas domésticas continuam pesando no bolso do brasileiro. Com isso, cresce a procura por crédito para reorganizar dívidas, cobrir emergências e manter o equilíbrio financeiro.

O problema é que bancos tradicionais passaram a adotar critérios ainda mais rigorosos para aprovar empréstimos. Score de crédito, histórico bancário e relacionamento com a instituição seguem sendo fatores determinantes nas análises. Esse modelo acaba favorecendo consumidores com maior estabilidade financeira e excluindo justamente os perfis mais vulneráveis.

Para milhões de brasileiros, o resultado é um ciclo difícil de interromper. Sem acesso ao crédito formal, muitos recorrem a alternativas mais caras ou informais, aumentando o risco de endividamento e dificultando a recuperação financeira.

O elevado custo da dívida e o endurecimento do crédito representam um risco de dificuldades financeiras para um número ainda maior de empresas, segundo especialistas. Ricardo Knoepfelmacher, consultor da RK Partners, alerta que, se a Selic se mantiver alta, a previsão é que mais de um terço das companhias não consiga cumprir suas obrigações financeiras.

Fintechs ganham espaço entre consumidores negativados

Nos últimos anos, fintechs de crédito passaram a ocupar espaço importante nesse mercado ao oferecer modelos mais flexíveis de análise. Diferentemente dos bancos tradicionais, essas empresas utilizam tecnologia e inteligência artificial para ampliar a avaliação de risco e considerar informações além do histórico bancário convencional.

Entre os dados analisados estão comportamento financeiro, regularidade de pagamentos, padrões de consumo e movimentações digitais. Com isso, plataformas conseguem identificar perfis que poderiam ser rejeitados em análises tradicionais, mas que ainda apresentam capacidade de pagamento.

O avanço desse modelo acontece em um momento de forte demanda por crédito rápido e menos burocrático. Jornadas digitais simplificadas, contratação online e liberação ágil dos valores se tornaram diferenciais competitivos no setor.

Levantamento da plataforma JurosBaixos aponta que a SuperSim aparece entre as fintechs com maior taxa de aprovação do mercado. Segundo os dados divulgados, enquanto a empresa aprova 100 solicitações de empréstimo online, a segunda colocada aprova cerca de 30 pedidos, diferença equivalente a 3,3 vezes mais aprovações.

O desempenho indica uma maior capacidade de atender consumidores fora do perfil tradicional do sistema bancário. Boa parte desse público possui renda próxima de dois salários mínimos ou enfrenta algum tipo de restrição no CPF.

Tecnologia reduz burocracia e acelera liberação do crédito

A digitalização das operações ajudou a transformar a experiência de contratação de crédito no Brasil. Em vez de longos processos presenciais, muitas fintechs oferecem análise automatizada e contratação integralmente online.

Na SuperSim, a solicitação de empréstimo pessoal é feita em poucos passos pela internet. O processo inclui cadastro, validação de dados e análise automatizada de crédito. Segundo informações divulgadas pela empresa e relatos publicados em plataformas como Reclame Aqui e Google Meu Negócio, o valor aprovado pode ser transferido via Pix poucos minutos após a conclusão da contratação.

A velocidade atende principalmente consumidores que enfrentam situações emergenciais, como despesas médicas, atraso de contas ou perda temporária de renda.

Outro fator relevante é a ampliação do acesso em regiões com menor presença de agências bancárias. Com o empréstimo online, consumidores conseguem contratar crédito sem deslocamentos e sem necessidade de atendimento presencial.

Inclusão financeira impulsiona novo modelo de crédito

Especialistas do setor apontam que fintechs têm contribuído para ampliar a inclusão financeira no país. Ao permitir que consumidores historicamente excluídos consigam acesso ao crédito, essas empresas também ajudam na construção de histórico financeiro positivo.

A SuperSim atua no segmento de crédito digital de curto prazo e utiliza um modelo próprio de avaliação de risco baseado em variáveis alternativas ao score tradicional. A proposta busca aumentar a taxa de aprovação, inclusive para clientes negativados.

Os empréstimos oferecidos pela fintech variam entre R$ 50 e R$ 2.500, com parcelamento em até 14 vezes. O processo é totalmente digital e o valor pode ser liberado em até cinco minutos após assinatura do contrato, segundo a empresa.

Como correspondente bancário regulamentado, a fintech opera em parceria com instituições financeiras como Socinal, BMP e CelCoin. A operação segue as regras da Resolução nº 3.954 do Banco Central.

Educação financeira segue essencial

Apesar do avanço das fintechs e da ampliação do acesso ao crédito, especialistas reforçam que o empréstimo pessoal exige planejamento e cautela. Juros elevados continuam sendo um dos principais desafios do mercado brasileiro e podem comprometer ainda mais a renda de consumidores endividados.

Por isso, transparência nas condições contratuais, análise do custo efetivo total (CET) e compreensão das taxas cobradas permanecem fatores fundamentais antes da contratação.

O crescimento das fintechs reflete uma transformação mais ampla do sistema financeiro brasileiro. A combinação entre tecnologia, uso de dados e digitalização vem alterando a forma como o crédito é concedido no país.

Enquanto inadimplência e juros continuam pressionando o orçamento das famílias, soluções digitais ganham espaço como alternativa para consumidores que seguem fora do radar dos bancos tradicionais.

Fonte: Terra
Foto: https://www.magnific.com/br/fotos-gratis/o-dinheiro-escreve-com-giz-branco-esta-na-mao-desenhar-conceito_6170398.htm

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