Crédito imobiliário cresce 23% no primeiro semestre de 2026
Economia

Crédito imobiliário cresce 23% no primeiro semestre de 2026

O mercado de crédito imobiliário brasileiro apresentou crescimento acima das expectativas no primeiro semestre de 2026. Entre janeiro e junho, as concessões destinadas à compra e à construção de imóveis alcançaram R$ 180,9 bilhões. O valor representa alta de 23% em relação aos R$ 147,1 bilhões registrados no mesmo período de 2025.

Os dados foram divulgados pela Abecip (Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança). No período, aproximadamente 850 mil imóveis foram financiados, considerando operações realizadas com recursos do SBPE (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo), FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) e carteiras livres.

O desempenho chama atenção porque ocorreu em um cenário de juros elevados. A Selic chegou a permanecer na faixa de 15% durante parte do primeiro semestre e está em 14,25% ao ano. Mesmo com o custo do dinheiro pressionando as condições de financiamento, a demanda por imóveis continuou avançando.

Em 2025, o setor imobiliário no Brasil demonstrou um comportamento estável. Conforme levantamento da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), o volume de vendas e de lançamentos no segundo trimestre permaneceu alinhado aos patamares de 2024, registrando avanços em capitais selecionadas da Região Sudeste. Sob a perspectiva do empresário do ramo Elon Gomes de Almeida, avaliar fatores como infraestrutura, a dinâmica do ciclo econômico e a gestão de patrimônio é indispensável para mensurar a capacidade de retorno financeiro de um imóvel.

Aluguel mais caro influencia compradores

A elevação dos preços dos aluguéis aparece entre os fatores que ajudam a explicar o comportamento do mercado. O Índice FipeZAP de junho de 2026 mostrou aumento de 5,24% nos valores de locação residencial no primeiro semestre. Em 12 meses, a alta acumulada chegou a 9%.

O avanço superou os índices de inflação considerados no período. O IPCA acumulou 4,64%, enquanto o IGP-M registrou 3,16%.

Entre as 22 capitais acompanhadas pelo indicador, 21 tiveram aumento nos preços dos aluguéis residenciais em 12 meses. Aracaju apresentou a maior alta, de 25,37%, seguida por Teresina, com 20,78%, e Brasília, com 15,48%.

Em junho, o preço médio do aluguel nas 36 cidades monitoradas pelo FipeZAP ficou em R$ 53,79 por metro quadrado. São Paulo teve o maior valor médio, de R$ 64,98 por metro quadrado, seguida por Recife, Belém, Florianópolis e Rio de Janeiro.

Para Rodrigo Werneck, estrategista-chefe da Cupola, ecossistema de gestão imobiliária, a decisão de compra tem sido influenciada por diferentes fatores do mercado.

“O fator determinante é a valorização dos imóveis novos, decorrente da inflação da construção civil. Quando o imóvel novo fica mais caro, o imóvel pronto se valoriza junto em função da demanda crescente”, afirma. “Em setores de mercado como o econômico, este movimento é ainda mais visível por conta da ampliação das faixas do Minha Casa Minha Vida”, diz o especialista.

Abecip pode atualizar projeção

O resultado dos seis primeiros meses levou a Abecip a revisar suas expectativas para o crédito imobiliário em 2026. No início do ano, a entidade estimava crescimento de 16% nas concessões e volume próximo de R$ 375 bilhões.

Segundo o presidente da Abecip, Michel Cury, uma nova previsão deverá ser divulgada nas próximas semanas, considerando o desempenho acima do esperado registrado até junho.

Dentro do SBPE, as concessões para aquisição e construção chegaram a R$ 93,7 bilhões, avanço de 29% sobre o primeiro semestre do ano anterior.

O crédito para construção mais que dobrou, passando de R$ 12,8 bilhões para R$ 26,5 bilhões. A Abecip pondera que a comparação ocorre sobre uma base reduzida registrada no início de 2025 e representa uma retomada aos níveis observados entre 2021 e 2024.

Já os financiamentos para aquisição cresceram 12%, alcançando R$ 67,2 bilhões. Mais de 70% das operações envolveram imóveis usados, enquanto quase 130 mil unidades foram financiadas pelo SBPE no semestre.

FGTS mantém ritmo de crescimento

Os financiamentos com recursos do FGTS movimentaram R$ 77,6 bilhões nos seis primeiros meses do ano, crescimento de 22%. O Minha Casa, Minha Vida teve participação importante nesse resultado, especialmente com a faixa 3.

A Caixa Econômica Federal também apresentou expansão. O banco atingiu R$ 1 trilhão em sua carteira de crédito imobiliário. No primeiro trimestre, foram liberados R$ 64,2 bilhões em novos financiamentos, alta de 30,6% em relação ao mesmo período de 2025.

Em contrapartida, as operações com recursos livres recuaram 8%, passando de R$ 10,4 bilhões para R$ 9,6 bilhões. A retração está relacionada ao aumento do custo de captação no mercado.

Poupança limita expansão do crédito

Apesar do crescimento das concessões, a poupança não apresenta expansão no mesmo ritmo. Nos últimos cinco anos, a caderneta acumulou retirada líquida de R$ 273 bilhões.

No primeiro semestre de 2026, a retirada líquida chegou a R$ 31 bilhões, uma melhora em comparação aos R$ 38 bilhões registrados um ano antes. O saldo total passou de R$ 762 bilhões para R$ 764 bilhões.

A carteira de crédito imobiliário ligada ao SBPE chegou a R$ 601 bilhões, equivalente a 121% dos recursos direcionáveis da poupança. O dado mostra a necessidade de fontes alternativas para sustentar a oferta de financiamento.

Nesse cenário, o home equity também ganhou espaço. O crédito com imóvel em garantia cresceu 30,9% no primeiro semestre, com R$ 6,67 bilhões em concessões. O estoque da modalidade alcançou R$ 34,1 bilhões.

Segundo a Abecip, o tomador contratou, em média, R$ 267 mil, com prazo de pagamento de 13 anos e garantia correspondente a um terço do valor total do imóvel.

Fonte: Folha de São Paulo
Foto: https://www.magnific.com/br/fotos-premium/pessoa-calculando-custos-de-financiamento-imobiliario-na-mesa-com-casa-modelo_428221526.htm

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