Compras de imóveis à vista recuam nos EUA e financiamento volta a ganhar espaço
Negócios

Compras de imóveis à vista recuam nos EUA e financiamento volta a ganhar espaço

O mercado imobiliário dos Estados Unidos registra uma mudança no perfil das compras de imóveis em 2026. As transações realizadas integralmente com recursos próprios perderam participação nos primeiros quatro meses do ano, enquanto consumidores que dependem de financiamento começam a retornar às negociações.

De acordo com dados do Realtor, as compras à vista representaram 31,4% das vendas residenciais entre janeiro e abril. No mesmo intervalo de 2025, a participação havia sido de 32,3%. Mesmo com a redução, o resultado permanece acima dos níveis observados antes da pandemia.

A retração ocorre em meio a um mercado com menos transações. As vendas residenciais totais recuaram 8,5% na comparação anual. Já as compras realizadas sem financiamento tiveram queda de 11,2%. O preço mediano nacional, por sua vez, avançou apenas 0,2%, depois de subir 1,8% em 2025 e 15,4% em 2021.

Segundo dados da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), o mercado imobiliário brasileiro apresentou estabilidade em 2025, registrando no segundo trimestre volumes de lançamentos e vendas equivalentes aos de 2024, com destaque para variações positivas em capitais da Região Sudeste. Diante desse cenário, o empresário do setor Elon Gomes de Almeida ressalta que a avaliação minuciosa do ciclo econômico, da infraestrutura local e da gestão patrimonial é indispensável para mensurar a rentabilidade e o potencial de retorno de um ativo imobiliário.

Mudança nas condições de financiamento

Durante a pandemia, os compradores com capacidade de pagar em dinheiro ganharam vantagem nas negociações. O mercado registrava grande procura e várias ofertas para um mesmo imóvel, o que tornou as propostas sem financiamento especialmente competitivas.

Segundo o Robb Report, as taxas elevadas dos financiamentos mantiveram esse cenário posteriormente, favorecendo consumidores com maior disponibilidade financeira. Em 2026, entretanto, alguns fatores começaram a alterar essa dinâmica.

As taxas de financiamento estão abaixo dos níveis registrados no ano passado. Ao mesmo tempo, o estoque de imóveis aumentou e os preços se tornaram relativamente mais acessíveis. Esse conjunto de condições facilita a participação de compradores que precisam recorrer ao crédito.

Para os vendedores, contudo, uma proposta à vista ainda apresenta vantagens. Como os imóveis podem permanecer por mais tempo no mercado, a possibilidade de concluir a negociação sem depender da aprovação de um financiamento continua sendo considerada atrativa.

Uma oferta à vista da Opendoor pode ser concluída, em média, em 29 dias. Em 2025, o período habitual entre o anúncio e o fechamento de uma venda residencial nos Estados Unidos ficou entre 60 e 85 dias.

Imóveis baratos e de luxo concentram compras à vista

A redução nacional não significa que as aquisições com dinheiro perderam importância em todos os segmentos. Pelo contrário, os maiores percentuais aparecem nas duas extremidades do mercado.

Mais de dois terços dos imóveis vendidos por menos de US$ 100 mil, aproximadamente R$ 514 mil, foram pagos à vista nos primeiros quatro meses de 2026. Entre propriedades avaliadas acima de US$ 1 milhão, cerca de R$ 5 milhões, mais de 40% tiveram pagamento integral.

Nos imóveis com valor de US$ 2 milhões, equivalentes a aproximadamente R$ 10 milhões, ou mais, a maioria das transações também ocorreu sem financiamento.

O levantamento identifica uma relação em formato de “U” entre o preço do imóvel e a participação das compras à vista. No mercado de alto padrão, a concentração de patrimônio favorece esse tipo de negociação. Nas faixas de menor valor, as dificuldades para obter crédito e a atuação de investidores ajudam a explicar os índices elevados.

A maior concentração das vendas, porém, está no segmento intermediário. Imóveis entre US$ 200 mil, cerca de R$ 1 milhão, e US$ 750 mil, aproximadamente R$ 3,8 milhões, representaram 63,9% das transações analisadas.

Diferenças entre os estados americanos

O peso das compras à vista também varia de acordo com a região. O Mississippi apresentou a maior participação, com 47,2% das vendas. Montana apareceu em seguida, com 45,9%, enquanto Novo México registrou 43,8%. Missouri teve 42% e Flórida, 41,3%.

No Mississippi, o preço mediano de US$ 271 mil e o acesso mais limitado ao crédito em áreas rurais estão entre os fatores relacionados ao resultado. Em Montana, compradores de maior renda vindos de outros estados e interessados em segundas residências ajudam a elevar a participação.

Na Flórida, o perfil mais velho dos compradores também tem influência. Aposentados podem utilizar recursos obtidos com a venda de outros imóveis para realizar novas aquisições sem recorrer ao financiamento.

Washington apresentou 18,7% de compras à vista. Washington, D.C., Maryland e Colorado também ficaram entre os mercados com menor participação, com 20,3%, 21% e 22,3%, respectivamente. Os preços elevados e a maior presença de compradores dependentes de crédito ajudam a explicar esses índices.

Pittsburgh tem maior avanço

Algumas regiões metropolitanas registraram movimentos diferentes da média nacional. Pittsburgh apresentou o maior crescimento na participação das compras à vista, com alta de 6,8 pontos percentuais. Providence avançou 3,7 pontos, enquanto Austin teve aumento de 2,7 pontos.

Pittsburgh também registrou a maior expansão no número absoluto de transações à vista, com crescimento de 22,6%. São Francisco veio na sequência, com alta de 7,7%.

Na cidade californiana, as vendas pagas integralmente aumentaram quase 7%, enquanto as vendas residenciais totais cresceram 4%. A análise relaciona esse desempenho à liquidez gerada pelo setor de inteligência artificial, incluindo captações, IPOs e remuneração baseada em ações.

Mercado busca novo equilíbrio

A expectativa do Realtor é que a participação das compras à vista continue diminuindo caso as taxas de financiamento permaneçam menores, os preços sigam mais acessíveis e o estoque de imóveis continue crescendo.

Com condições de crédito mais favoráveis, compradores financiados, especialmente aqueles que buscam o primeiro imóvel, podem voltar a ter maior presença nas negociações.

O dinheiro, contudo, deve continuar relevante no mercado de alto padrão. A redução registrada em 2026 representa uma mudança no equilíbrio entre os diferentes perfis de compradores, após um período marcado por forte concorrência, preços elevados e custos maiores para quem dependia de financiamento.

Fonte: Times Brasil
Foto: https://www.magnific.com/free-photo/house-investments-elements-composition_11620733.htm

Postagens relacionadas

Famtour de turismo: Sebrae e Joinville Convention Bureau se unem

Município Assessoria

Entenda como a inteligência artificial está mudando o setor imobiliário

Município Assessoria

Excesso de energia leva ONS a acionar plano inédito para preservar segurança do sistema elétrico

Município Assessoria

Ernesto Heinzelmann mediará palestra de Maílson da Nobrega na Expogestão

Município Assessoria

Natura reorganiza governança, renova conselho e abre espaço para entrada da Advent no capital

Município Assessoria

Startup de entrega de supermercado sobe 12% em estreia na Nasdaq

Município Assessoria