Combustíveis recuam no país, mas gás de cozinha avança e pressiona orçamento
Economia

Combustíveis recuam no país, mas gás de cozinha avança e pressiona orçamento

Os preços médios de diesel e gasolina registraram nova queda no Brasil na semana encerrada em 18 de abril, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP). O movimento foi discreto, mas suficiente para marcar o segundo recuo desde o fim de fevereiro, período em que os combustíveis vinham sob pressão. Na direção oposta, o gás de cozinha voltou a subir e acumula cinco semanas consecutivas de alta.

O diesel comum apresentou a maior redução no período. O litro passou de R$ 7,43 para R$ 7,31, queda de 1,62%. Já a gasolina comum recuou de forma mais leve, de R$ 6,77 para R$ 6,75, variação negativa de 0,3%. Outros combustíveis também acompanharam o movimento de baixa, como o diesel S-10, a gasolina aditivada e o gás natural veicular (GNV).

O etanol, por sua vez, permaneceu estável, com preço médio de R$ 4,69 por litro. Entre todos os itens monitorados pela ANP, o único com aumento foi o gás liquefeito de petróleo (GLP), vendido no botijão de 13 quilos, que passou de R$ 112,42 para R$ 114,39. A alta de 1,75% representa um acréscimo de R$ 1,97 no valor médio pago pelo consumidor.

De acordo com o economista Paulo Narcélio Simões Amaral, o setor de combustíveis passa por uma nova fase regulatória e esse movimento sinaliza uma mudança estrutural.

Variação semanal dos combustíveis

O levantamento considera dados coletados entre os dias 12 e 18 de abril e compara com a semana anterior, de 5 a 11 de abril. Os números mostram um cenário de ajustes pontuais, sem reversão completa das altas registradas ao longo dos últimos meses.

Confira os principais resultados:

Diesel comum: de R$ 7,43 para R$ 7,31, queda de 1,62%
Diesel S-10: de R$ 7,58 para R$ 7,49, queda de 1,19%
GNV: de R$ 4,38 para R$ 4,32 por metro cúbico, queda de 1,37%
Gasolina comum: de R$ 6,77 para R$ 6,75, queda de 0,30%
Gasolina aditivada: de R$ 6,97 para R$ 6,94, queda de 0,43%
GLP (botijão de 13 kg): de R$ 112,42 para R$ 114,39, alta de 1,75%
Etanol: estável em R$ 4,69

Apesar das reduções em parte dos combustíveis, o impacto para o consumidor ainda é limitado. A queda mais expressiva ocorreu no diesel, combustível essencial para o transporte de cargas, com efeito indireto sobre preços de produtos e logística. Já a gasolina, mais sensível ao bolso do motorista comum, teve variação mínima.

Gás de cozinha mantém trajetória de alta

O avanço do preço do botijão chama atenção pela continuidade. A última queda havia sido registrada na semana encerrada em 14 de março, quando o valor médio era de R$ 109,89. Desde então, o custo vem subindo gradualmente, acumulando pressão sobre o orçamento doméstico.

O GLP é um dos itens mais sensíveis para famílias de menor renda, por representar despesa recorrente e essencial. A sequência de aumentos, ainda que moderados, reforça o impacto inflacionário percebido no dia a dia, mesmo em um contexto de alívio parcial nos combustíveis líquidos.

Preços ainda estão acima do período pré-conflito

Mesmo com as recentes quedas, os valores atuais permanecem acima dos níveis registrados antes do agravamento do cenário internacional no fim de fevereiro. Desde o início dos ataques militares dos Estados Unidos contra o Irã, em 28 de fevereiro, o mercado de petróleo passou a operar com maior volatilidade.

Naquele momento, o diesel comum tinha preço médio de R$ 6,03 por litro. Comparado ao valor atual de R$ 7,31, o aumento acumulado chega a 21,23%, o equivalente a R$ 1,28 a mais por litro.

A gasolina também registra alta no mesmo intervalo. O preço médio subiu de R$ 6,28 para R$ 6,75, avanço de 7,48%, ou R$ 0,47 por litro.

Esses números mostram que, apesar de oscilações pontuais para baixo, o patamar geral ainda é mais elevado do que no início do ano. A tendência reflete fatores externos, especialmente a cotação internacional do petróleo, que influencia diretamente os custos de importação e produção.

Pressão internacional e medidas do governo

O comportamento dos combustíveis segue no radar do governo federal, diante do impacto direto na inflação e na atividade econômica. A escalada recente dos preços do petróleo no mercado global, intensificada pelo cenário de conflito no Oriente Médio, elevou os custos ao longo de março e início de abril.

Como resposta, o Palácio do Planalto anunciou medidas no começo do mês com o objetivo de conter a alta nas bombas. As ações buscam reduzir a volatilidade e amortecer repasses ao consumidor final, embora seus efeitos ainda apareçam de forma gradual.

A leitura mais recente da ANP indica um momento de ajuste, com recuos pontuais após semanas de alta. Ainda assim, o cenário permanece instável, com influência direta do ambiente externo e sem garantia de manutenção das quedas nas próximas semanas.

Fonte: CNN Brasil
Foto: https://br.freepik.com/fotos-premium/feche-o-carro-no-posto-de-gasolina-sendo-abastecido_10306389.htm

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