O Brasil chegou a 66% de crianças alfabetizadas ao final do segundo ano do ensino fundamental em 2025, superando a meta prevista para o período. O dado foi apresentado em Brasília pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelo ministro da Educação Camilo Santana, durante agenda oficial realizada na segunda-feira (23).
O índice indica que aproximadamente duas a cada três crianças que concluíram essa etapa escolar no ano passado já dominam habilidades básicas de leitura e escrita. O resultado ultrapassa a meta intermediária de 64% definida pelo Compromisso Nacional Criança Alfabetizada para 2025.
Ao comentar o avanço, Lula destacou o ritmo de crescimento do programa e a possibilidade de antecipar resultados que, inicialmente, eram considerados difíceis de alcançar. “Nós resolvemos fazer esse pacto pela alfabetização na idade certa para chegarmos a 2030 com 80% das crianças alfabetizadas no segundo ano. Parecia uma meta impossível. Veja que, com apenas dois anos, nós chegamos a 66%”, afirmou.
O presidente também indicou expectativa de continuidade na melhora dos indicadores. A projeção é de que o país alcance 70% já no próximo ano, caso o ritmo atual seja mantido.
“Isso é maravilhoso, porque é o mais importante legado que um país pode dar ao seu povo: a boa formação educacional. Não existe exemplo de nenhum país do mundo que tenha se desenvolvido e que o povo tenha alcançado um padrão de vida digno e respeitoso sem que antes se pudesse investir na educação”, declarou.
Selo reconhece redes de ensino
O anúncio foi feito durante a cerimônia da segunda edição do Selo Nacional Compromisso com a Alfabetização, iniciativa voltada a reconhecer boas práticas de gestão educacional em estados e municípios.
Ao todo, 4.710 municípios e 18 estados receberam certificação nas categorias ouro, prata e bronze. O selo ouro foi concedido a 11 estados e 2.274 municípios. Na categoria prata, foram reconhecidos seis estados e 1.890 municípios. Já o bronze contemplou um estado e 546 municípios.
A premiação considera critérios ligados à formulação e execução de políticas públicas voltadas à alfabetização, além de indicadores de desempenho e estratégias de acompanhamento dos estudantes.
O objetivo é estimular a melhoria contínua das redes de ensino e valorizar iniciativas locais que contribuam para elevar os níveis de aprendizagem.
Política com adaptação regional
Segundo o ministro Camilo Santana, o modelo adotado pelo compromisso nacional prevê flexibilidade na implementação das ações. Em vez de um formato único, cada estado desenvolve suas estratégias em parceria com os municípios, levando em conta características locais.
“Esse compromisso da criança alfabetizada não propõe uma resposta única ou centralizada para todo o país. Cada estado, em colaboração com seus municípios, faz a política de alfabetização do território de acordo com as suas especificidades”, explicou.
A abordagem busca equilibrar diretrizes nacionais com a autonomia dos sistemas de ensino, considerando diferenças socioeconômicas, estruturais e pedagógicas entre as regiões.
Meta de universalização
O avanço registrado em 2025 está alinhado à Meta 5 do Plano Nacional de Educação, que estabelece que todas as crianças devem estar alfabetizadas até o fim do segundo ano do ensino fundamental.
A meta final do governo é alcançar 100% de alfabetização nessa etapa. Para isso, além do foco nos alunos mais novos, o programa inclui medidas voltadas à recomposição de aprendizagem de estudantes do terceiro ao quinto ano.
Essas ações têm como base os impactos causados pela pandemia de Covid-19, período em que houve interrupções prolongadas das aulas presenciais e dificuldades no ensino remoto, especialmente em regiões com menor acesso à tecnologia.
Indicadores complementares
Durante o evento, o Ministério da Educação também apresentou outros dados relacionados à educação básica. Entre eles, a redução da evasão escolar, que, segundo o ministro, caiu pela metade nos últimos três anos.
Outro ponto destacado foi a ampliação da educação em tempo integral. O percentual de matrículas nessa modalidade passou de 15% para 25,7% no período recente.
Os números indicam uma tendência de recuperação gradual do sistema educacional após os efeitos da pandemia. Ainda assim, permanecem desafios ligados à desigualdade entre redes de ensino, à formação de professores e às condições de infraestrutura.
A alfabetização nos primeiros anos segue como um dos principais indicadores de qualidade da educação básica. O domínio da leitura e da escrita nessa fase influencia o desempenho dos estudantes nas etapas seguintes e tem impacto direto nas oportunidades educacionais ao longo da vida.
Fonte: Agência Brasil
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