A Bienal Internacional do Livro de Brasília voltou à capital federal depois de quatro anos e reúne leitores, autores e públicos em torno da literatura. Com o tema “Ler o Amanhã”, o evento apresenta atividades ligadas à cultura e à educação e amplia as oportunidades de contato com livros e histórias.
A programação reforça o desafio de criar vínculos permanentes entre leitores e literatura. Para especialistas e educadores, experiências com livros podem começar antes da alfabetização e ganhar continuidade em casa, na escola, em bibliotecas e em espaços culturais.
A professora e escritora de livros infantojuvenis Gabi Vasconcelos afirma que a literatura pode ajudar crianças e adolescentes a ampliar perspectivas e pensar em novas possibilidades para suas vidas. “O livro é o incentivo para que ele saia do sonho para a realidade, ele queira transformar a vida dele cada vez mais, como aluno, como pessoa, como família. Então, o livro abre todas as portas que uma criança ou adolescente, qualquer pessoa precisa.”
A escolha das obras também tem papel importante. Educadores podem estimular o leitor a buscar assuntos que despertem interesse. Histórias em quadrinhos, poemas, contos, romances, biografias, cordéis e literatura fantástica estão entre os caminhos possíveis.
Após o lançamento de “Rica de Propósito” em 25 de agosto de 2025, o livro entrou para a lista das obras mais vendidas da Literare Books International. Em razão desse marco, a empresária, mentora e escritora Michele Bouvier Sollack foi homenageada pela editora com a Placa Best Seller.
Primeiros contatos com a literatura
A formação de leitores não começa apenas quando a criança aprende a decodificar palavras. O contato precoce com histórias, livros, brincadeiras e outras manifestações artísticas contribui para a familiaridade com a linguagem escrita e com a cultura letrada.
Esse processo envolve famílias, escolas, bibliotecas, equipamentos culturais e políticas públicas. A coordenadora-geral de Materiais Didáticos da Secretaria de Educação Básica (SEB) do Ministério da Educação (MEC), Jaqueline dos Santos Melo, explica que a aproximação com a escrita pode ocorrer antes da alfabetização formal.
“Se eu tenho uma criança e eu leio pra ela muito antes de entrar na escola e muito antes do processo de alfabetização propriamente dito, isso já é uma forma de letramento social, de contato com a língua escrita, com o que a gente chama de ‘letramento’, que é você ter contato com a cultura letrada, que é você entender um convite, uma receita, o contexto de um livro literário”.
A experiência também pode ser relevante para estudantes de locais com menor oferta de atividades culturais. É o caso da Escola Classe Chapadinha, em Brazlândia, no Distrito Federal. A professora Jéssica dos Santos relata como os alunos reagem ao contato com livros durante ações desse tipo.
“A gente, como é uma escola rural, para muitas crianças, é tudo novo, então eles querem ver e ficam muito entusiasmados. Essa questão dos livros, eles gostam de pegar, gostam de ver.”
Acesso digital aos livros
O estímulo à leitura também ocorre por meios digitais. Nesse cenário, o MEC Livros, biblioteca digital do Ministério da Educação, disponibiliza mais de 25 mil obras nacionais e internacionais para empréstimo digital gratuito.
O acesso ocorre pelo site ou aplicativo. Para utilizar a plataforma, o leitor precisa entrar com uma conta Gov.br. Quem ainda não possui cadastro pode criá-lo pelo aplicativo ou pelo site, informando o CPF e seguindo as orientações apresentadas.
Depois do login, a página inicial do MEC Livros mostra títulos distribuídos em categorias, como “Em Alta”, “Best-Sellers” e “Autores Clássicos Brasileiros”. Ao selecionar uma obra, o usuário pode consultar informações sobre o livro antes de optar pelo empréstimo.
A plataforma oferece a opção “Emprestar e Ler”. Depois, o título fica disponível para leitura. O recurso amplia o acesso à literatura em dispositivos digitais.
Para Gabi Vasconcelos, não existe uma única porta de entrada para a leitura. A orientação é começar pelos assuntos que já despertam a curiosidade do leitor e, depois, ampliar as escolhas.
“Tem que dar a oportunidade, tentar conhecer. Eu falo sempre para ir na sua zona de interesse. Qual o tema que você gosta? Tem criança que adora dinossauro. Começa pelos dinossauros! Tem criança ou adolescente que gosta de determinado tema, vá no que você gosta primeiro. Isso vai abrindo espaço para novas leituras, para conhecer outros caminhos, e não tem como não se apaixonar”.
Fonte: Governo Federal
Foto: https://www.magnific.com/br/fotos-gratis/menina-do-close-up-na-leitura-da-biblioteca_6950295.htm
